Institut Pasteur de São Paulo

Pesquisadores do IPSP são treinados em análise ecológica aplicada à busca de novos patógenos

Pesquisadores do IPSP são treinados em análise ecológica aplicada à busca de novos patógenos


 

Capacitação internacional combinou biodiversidade, programação em R e ferramentas satelitais para investigar fatores ambientais associados ao surgimento de doenças e patógenos emergentes.

Pesquisadores e estudantes do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) participaram, entre os dias 22 e 29 de abril, de um treinamento voltado ao uso integrado de análise ecológica, programação e ferramentas satelitais para investigar fatores ambientais associados ao surgimento de zoonoses e novos patógenos. A capacitação permitiu aos participantes aprender técnicas capazes de relacionar diversidade de espécies, alterações ambientais e circulação de agentes infecciosos em diferentes territórios.

O treinamento foi realizado por meio do curso “Introdução à análise da diversidade de espécies com R e ferramentas de satélite”, ministrado pelo Dr. Roman Espinal Palomino, pesquisador do Center for Research and Advanced Studies of the National Polytechnic Institute (Cinvestav), do México. As atividades combinaram conteúdos teóricos e práticos envolvendo análise de diversidade biológica, programação em R e uso de ferramentas geoespaciais como o QGIS.

A formação reuniu participantes de diferentes grupos de pesquisa do IPSP e teve como foco a análise de dados ecológicos, incluindo aspectos relacionados à amostragem, qualidade dos dados e interpretação da diversidade de espécies.

Segundo Palomino, um dos principais objetivos do curso foi aproximar ferramentas da ecologia de pesquisas voltadas à vigilância e descoberta de novos patógenos, permitindo compreender melhor os fatores ambientais associados ao surgimento de doenças emergentes.

“Nos últimos anos, o conhecimento no campo do estudo da diversidade tem crescido significativamente. A proposta é aplicar esse conhecimento ao contexto da busca por novos patógenos, permitindo gerar estimativas sobre o que já foi identificado e o que ainda pode ser descoberto”, explica o pesquisador.

A integração entre análise estatística em R e ferramentas geoespaciais como o QGIS permite aos pesquisadores investigar questões relacionadas à influência da urbanização, das alterações ambientais e da ocupação do território sobre a fauna silvestre e a circulação de patógenos.

Entre as questões discutidas durante o curso estão os efeitos da urbanização sobre o surgimento de doenças na fauna silvestre, as diferenças na diversidade de patógenos entre ambientes urbanos e conservados e o estudo de redes de interação entre potenciais reservatórios e hospedeiros.

O treinamento também abordou o conceito de Saúde Única (One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental, hoje considerado estratégico para estudos sobre zoonoses e preparação para futuras pandemias.

“A vigilância por meio do uso de ferramentas moleculares favorece enormemente a busca por novos patógenos, especialmente aqueles relacionados a eventos zoonóticos”, afirma Palomino. Segundo ele, ferramentas satelitais também permitem monitoramento em tempo real de possíveis focos de infecção e identificação de áreas ambientais críticas para a fauna silvestre.

Outro diferencial destacado pelo pesquisador foi o caráter aplicado da formação, permitindo que os próprios participantes trabalhassem com seus dados durante as atividades práticas.

A iniciativa foi viabilizada por meio da colaboração internacional entre o UNU Biotechnology Programme for Latin America and the Caribbean, o Laboratório de Pato-Ecología Rural y Urbana (PERU-Lab) – Cinvestav Mérida e o IPSP, por meio do grupo Spillover e Saúde Única, liderado pela pesquisadora Dra. Angélica Cristine de Almeida Campos.