Estudantes e jovens pesquisadores destacam excelência científica, ambiente colaborativo e relevância do Brasil para pesquisas em saúde global.
O Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) tem atraído pesquisadores internacionais interessados em desenvolver estudos em doenças infecciosas em um ambiente científico dinâmico e altamente colaborativo. Um grupo de estudantes franceses, vindos de diferentes instituições, escolheu o instituto para realizar estágios e projetos de pesquisa, reforçando o papel do IPSP como espaço de formação e cooperação científica internacional.
Entre os fatores que motivaram a vinda ao Brasil estão a reputação do instituto em pesquisa biomédica, a oportunidade de vivência internacional e o interesse em estudar doenças infecciosas em um contexto marcado pela alta biodiversidade e complexidade epidemiológica. Em alguns casos, o contato com o instituto surgiu de forma espontânea, a partir da leitura de artigos científicos e do interesse individual por linhas de pesquisa específicas. Em outros, a vinda foi resultado de iniciativas acadêmicas estruturadas, com articulação entre estudantes, professores e áreas de relações internacionais das instituições de origem.
“Brasil é um dos países com maior biodiversidade do mundo, o que o torna um ambiente ideal para estudar doenças infecciosas em ecossistemas complexos”, afirma o pesquisador Maximilien Malivoir, da Université de La Réunion, que chegou ao IPSP após se interessar por pesquisas sobre vírus em morcegos neotropicais. No instituto, ele trabalha com vírus influenza, com foco na construção e análise de bancos de dados genômicos completos, utilizados para estudar a evolução e a circulação desses vírus por meio de análises filogenéticas.

Também no campo dos vírus influenza, a estudante Léa Bernard, do IUT de La Rochelle, desenvolve um projeto de vigilância epidemiológica voltado ao acompanhamento da circulação dos vírus Influenza A e B em diferentes bairros da cidade de São Paulo e regiões do entorno. “Meu trabalho está ligado justamente a essa vigilância, acompanhando a circulação dos vírus e ajudando a identificar padrões e possíveis surtos”, explica.
Outra frente de pesquisa envolve a investigação de vírus com potencial zoonótico em ratos urbanos. “Identificar vírus em animais que vivem próximos aos humanos é essencial para melhorar a detecção precoce de ameaças à saúde”, afirma Emy Bernussou, que atua na análise de amostras de ratos, com foco na identificação de vírus com potencial zoonótico e na construção de mapas de risco.
Já Juliette Dumartin, do IUT de La Rochelle, desenvolve estudos sobre o parasita Trypanosoma vivax, com foco em compreender como ele pode atingir o sistema nervoso. Utilizando modelos organoides — estruturas semelhantes ao cérebro —, sua pesquisa investiga a interação do parasita com tecidos neurais e sua possível travessia de barreiras biológicas. “Ao estudar como esse parasita interage com esses modelos, conseguimos avançar na compreensão de seus mecanismos de ação”, explica.
Na interface entre virologia e neurociência, Camille Gratreaud, também do IUT de La Rochelle, investiga os efeitos dos vírus Influenza A e Zika em neurônios humanos. Seu trabalho utiliza células derivadas de pacientes com síndrome congênita do Zika para compreender os mecanismos envolvidos nos danos neurológicos causados por essas infecções. “Ao investigar como esses vírus afetam neurônios derivados de pacientes com síndrome congênita do Zika, buscamos entender melhor os mecanismos envolvidos nos danos neurológicos e contribuir para estratégias futuras de prevenção”, afirma.
O ambiente científico do IPSP é apontado como um dos principais diferenciais pelos pesquisadores. A convivência entre equipes de diferentes áreas e a frequência de seminários e discussões científicas criam um espaço contínuo de aprendizado e troca. A proximidade entre estudantes e pesquisadores mais experientes também é destacada como um fator que favorece a formação e o desenvolvimento dos projetos.
“A interação constante entre diferentes equipes e a acessibilidade dos pesquisadores criam um ambiente muito estimulante para aprender”, afirma Camille Gratreaud.
Além dos avanços científicos, os pesquisadores destacam o impacto da experiência internacional em sua formação acadêmica e pessoal. A vivência no Brasil é descrita como enriquecedora, tanto pelo contato com uma nova cultura quanto pela inserção em um ambiente de pesquisa diverso e acolhedor.