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Institut Pasteur de São Paulo

Fórum internacional no IPSP destaca cooperação França–Brasil em saúde global

Fórum internacional no IPSP destaca cooperação França–Brasil em saúde global


 

Evento reuniu cientistas do Brasil e da Rede Pasteur para discutir cooperação científica em saúde global, com foco em doenças emergentes e reemergente, biodiversidade e impactos das mudanças climáticas.

O Fórum Internacional “Global Health in Tropical Regions: Perspectives from Latin America and West Africa in a Changing World – French Contributions” começou nesta segunda-feira (20) reunindo representantes da França, da USP e da Rede Pasteur. Realizado no campus da USP, o evento vai até o dia 22 de outubro e faz parte da programação oficial do Ano da França no Brasil 2025, propondo discutir como a cooperação científica internacional pode enfrentar os desafios da saúde global em regiões tropicais.

“Este fórum é mais do que um evento científico: é um gesto político e coletivo em favor de um futuro comum, centrado em saúde, inovação e sustentabilidade”, afirmou Paola Minoprio, diretora executiva do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP). Ela destacou o papel do Brasil como “laboratório vivo” pela sua biodiversidade e contrastes ambientais, e lembrou que o IPSP, um dos mais novos institutos da Rede Pasteur, tem ampliado parcerias com instituições como USP, CNRS, IRD, Inserm, Fiocruz e FAPESP.

A cônsul-geral da França em São Paulo, Alexandra Mias, ressaltou que o fórum é um dos marcos da temporada França–Brasil e reforça o compromisso bilateral com a ciência e o multilateralismo. “A saúde global está no centro dessa cooperação. É uma área em que nossos países têm responsabilidades compartilhadas e complementares”, afirmou. Ela destacou ainda a criação do IPSP dentro da USP como um símbolo da parceria científica franco-brasileira.

Em seguida, Sophie Jacquel, representante da Embaixada da França no Brasil, sublinhou que a saúde é uma prioridade da diplomacia científica francesa e que a colaboração entre os dois países deve se expandir. Ela mencionou as chamadas conjuntas ANR–CNPq e o recém-criado Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica, voltado à pesquisa na Amazônia. “O IPSP mostra como a cooperação científica pode gerar impacto social e ambiental real, conectando França, Brasil e África em torno de desafios comuns”, disse.

Falando em nome do Institut Pasteur de Paris, Christophe Denfert, diretor de Relações Internacionais, lembrou as quatro missões históricas da instituição — pesquisa, educação, saúde pública e inovação — e afirmou que o IPSP “já ocupa seu lugar na constelação Pasteur”. Ele destacou a importância de fortalecer os laços entre as unidades da rede, especialmente nas regiões tropicais, e de promover uma ciência aberta, colaborativa e comprometida com o impacto social. “Essas ligações, iniciadas por figuras como Pedro II e Oswaldo Cruz, continuam a crescer e se renovar”, afirmou.

Representando a USP, o pró-reitor de Pós-Graduação Rodrigo Calado destacou o impacto social desse modelo de colaboração. “Esse tipo de parceria científica faz diferença em doenças negligenciadas, que raramente recebem atenção do Norte Global. O IPSP mostra como alianças internacionais podem transformar a saúde pública”, disse.

O diretor do Departamento de Saúde Global do Institut Pasteur (Paris), Hervé Bourhy, encerrou a parte institucional da cerimônia ressaltando a importância de conectar experiências de diferentes regiões tropicais. “É inspirador ver como o trabalho do IPSP traduz a missão global do Pasteur em pesquisa e formação de novas gerações de cientistas”, afirmou.

Da Amazônia à saúde pública: ciência em campo e palestra sobre clima

Na sequência, o professor Carsten Wrenger (ICB-USP/IPSP) apresentou os resultados da Amazonian School on Global Health, curso que adaptou uma disciplina de pós-graduação da USP para uma experiência prática em Montenegro (Rondônia). A atividade reuniu alunos de vários países em um trabalho de campo de coleta de amostras, analisados posteriormente nos laboratórios do IPSP. “Fizemos um trabalho intenso no campo, e agora os estudantes mostram como esses dados se transformam em conhecimento aplicado”, contou Wrenger antes da exibição de um vídeo sobre a expedição amazônica e de apresentações dos participantes do curso.

O período da manhã ainda contou com uma apresentação do pesquisador Mauro César Cafundó de Morais, do IPSP, apresentou a palestra “Climate and Health Program”, que integra uma iniciativa internacional da Pasteur Network para compreender os efeitos das mudanças climáticas sobre doenças transmitidas por vetores. E do painel “Biodiversity, Surveillance & Pathogen Discovery”, moderado por Rúbens Alves (IPSP), com a participação de Edison Durigon (USP), Ghislaine Vega Rua (Institut Pasteur de Guadeloupe), Jean Claude Manuguerra (Institut Pasteur de Paris), Abdoulaye Sow (Institut Pasteur de Dakar) e Angélica Cristine de Almeida Campos (IPSP).

Durante a tarde, o fórum seguiu com a sessão “Junior Researchers Speed Talks”, moderada por Carsten Wrenger, com 15 apresentações curtas de jovens pesquisadores do IPSP. A programação incluiu ainda uma sessão de pôsteres e uma visita às instalações do instituto, encerrando o primeiro dia com troca de experiências entre cientistas de diferentes áreas e gerações.