Institut Pasteur de São Paulo

IPSP participa de reunião internacional sobre vigilância em águas residuais na França

IPSP participa de reunião internacional sobre vigilância em águas residuais na França


 

Encontro reúne cientistas de diversos países para alinhar metodologias e promover a padronização de protocolos para análise de águas residuais como ferramenta de saúde pública.

O virologista Rúbens Alves, coordenador do grupo de pesquisa em Vigilância Genômica e Inovação em Vacinas do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP), embarcou para o norte da França, onde participa de uma reunião internacional promovida pelo Institut Pasteur de Lille e pela Fundação Gates. Acompanhado da diretora executiva do IPSP, Paola Minoprio, ele se une a outros especialistas para discutir os avanços e os desafios da vigilância epidemiológica baseada em análises de águas residuais — uma estratégia que ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19 e que, agora, começa a ser aplicada também para o monitoramento de outras doenças.

A reunião, que será realizada nos dias 24 e 25 de junho, reunirá representantes da rede Pasteur de diversos países. O objetivo é alinhar metodologias e promover a padronização de protocolos para análise de águas residuais como ferramenta de saúde pública. “É um passo importante para que possamos estabelecer critérios internacionais e compartilhar soluções técnicas, respeitando as especificidades de cada região”, explica Alves.

O pesquisador lidera um grupo de pesquisa do IPSP focado no monitoramento de cepas de Influenza em circulação na capital paulista, por meio da análise de esgoto coletado em pontos estratégicos. As informações obtidas irão auxiliar na formulação de vacinas mais eficazes e rápidas de serem atualizadas, além de fornecer subsídios para ações de vigilância epidemiológica contínua e com maior abrangência populacional.

Para Alves, a atuação em um centro como o IPSP amplia não apenas as possibilidades de pesquisa, mas também o acesso a oportunidades internacionais de formação e colaboração científica. Neste ano, ele já participou de dois programas de destaque: o Laboratory Leadership Course for Group Leaders, promovido pela EMBO Solutions, na Alemanha, e o Salzburg Weill Cornell Seminar in Infectious Diseases, na Áustria — neste último, foi o único pesquisador não médico entre os selecionados.

“São experiências transformadoras, que ampliam nossa visão sobre ciência, gestão de equipe e o impacto social do nosso trabalho”, afirma. No curso de liderança, por exemplo, Alves conta que interagiu com pesquisadores de instituições como Max Planck, Pasteur e universidades dos EUA, debatendo problemas comuns à gestão de grupos científicos — desde motivação e inteligência emocional até clareza na comunicação com estudantes e pares. “Foi uma oportunidade única de refletir sobre práticas de liderança que raramente são ensinadas formalmente”, avalia.

Além da troca internacional, ele destaca o papel estratégico que centros como o IPSP têm em formar novos líderes e propor soluções para os desafios globais em saúde. “Participar do IPSP me coloca em contato direto com outras unidades da Rede Pasteur e com um ecossistema científico que valoriza a inovação e a interdisciplinaridade. Isso tem sido essencial para o desenvolvimento do nosso projeto com vacinas baseadas em RNA auto-replicativo, por exemplo, uma tecnologia que aprimorei nos Estados Unidos e agora começamos a aplicar aqui”, finaliza.