Institut Pasteur de São Paulo

Institut Pasteur de Paris reforça planos para resposta a pandemias e lança rede acadêmica em saúde global

Institut Pasteur de Paris reforça planos para resposta a pandemias e lança rede acadêmica em saúde global


 

Em flash talks que abriram o último dia do fórum internacional no IPSP, Christophe Denfert apresentou a nova iniciativa de preparação para pandemias do Institut Pasteur, enquanto Bérengère Virlon falou sobre a rede acadêmica francesa FrOGH, dedicada à colaboração em pesquisa e formação em saúde global.

Encerrando o Fórum Internacional “Global Health in Tropical Regions: Perspectives from Latin America and West Africa in a Changing World – French Contributions”, o Instituto Pasteur de São Paulo recebeu, na manhã de 22 de outubro, dois palestras que sintetizaram o espírito de cooperação científica franco-brasileira e o olhar global sobre saúde e sustentabilidade.

O coordenador científico da direção de Assuntos Internacionais do Institut Pasteur de Paris, Christophe Denfert, apresentou a Iniciativa Pasteur de Preparação para Pandemias (P3i), criada para fortalecer a capacidade de resposta do instituto e de sua rede internacional diante de futuras crises sanitárias. Já Bérengère Virlon, diretora do Departamento de Saúde Global do mesmo instituto, detalhou a formação da rede acadêmica FrOGH (France One & Global Health), que reúne 32 organizações francesas dedicadas à pesquisa, ensino e políticas públicas em saúde global.

Do aprendizado da Covid-19 à criação da P3i

Segundo Denfert, a pandemia de Covid-19 revelou a necessidade de repensar a forma como as instituições científicas se organizam para reagir rapidamente a emergências sanitárias. “Sabemos que haverá uma próxima pandemia — a questão é como podemos estar melhor preparados para reagir”, disse.

Em 2022, o Institut Pasteur promoveu um retiro de dois dias com 40 pesquisadores e gestores para estruturar um plano de ação institucional. O resultado foi a criação da P3i, baseada em quatro pilares: aprimorar o conhecimento sobre patógenos de risco; ampliar as capacidades para o desenvolvimento de vacinas e terapias; fortalecer a inteligência epidemiológica; e melhorar a organização institucional para respostas rápidas.

Entre as ações concretas, Denfert destacou o novo Centro de Doenças Transmitidas por Vetores (CMTV), que abrigará 13 grupos de pesquisa em 9 mil m² de laboratórios e foi projetado para permitir o estudo integrado de vetores, patógenos e hospedeiros. O instituto também criou o Centro de Vacinologia e Imunoterapia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de vacinas e anticorpos monoclonais e integrar o European Vaccine Hub, financiado pela Comissão Europeia.

A P3i também investe na criação de protocolos para os primeiros 30 dias de resposta a uma nova epidemia, com exercícios de simulação e treinamento de equipes capazes de atuar em laboratórios de nível de biossegurança elevado. “Estamos rejuvenescendo nossa força-tarefa de investigação de surtos, criada em 2010, para que possa ser novamente mobilizada em campo”, explicou Denfert.

Para ele, a preparação não é apenas técnica, mas também organizacional: “Trata-se de ter uma instituição pronta para reagir — com pessoas treinadas, parceiros conectados e procedimentos claros para agir rapidamente.”

FrOGH: uma rede francesa para pensar a saúde global

Na sequência, Bérengère Virlon apresentou a FrOGH (France One & Global Health), nova associação francesa criada para articular universidades e centros de pesquisa em torno de uma visão integrada da saúde humana, animal e ambiental. Formalizada em 2023, a rede já reúne 32 instituições distribuídas por territórios metropolitanos e ultramarinos.

“O objetivo é coordenar uma comunidade científica que já existe, mas está dispersa. Há muita expertise na França em saúde global, mas ela precisava ser conectada”, explicou Virlon.

A FrOGH atua em três frentes: fomentar sinergias em pesquisa, formação e consultoria; propor ações e recomendações a autoridades nacionais e internacionais; e fortalecer a visibilidade das ciências da saúde global francesas no exterior.

Seu primeiro grande evento foi o Fórum FrOGH, realizado em outubro, com 36 apresentações de pesquisadores de todo o país organizadas em quatro sessões: saúde planetária, abordagens baseadas em comunidade, governança internacional e formação em saúde global. Os trabalhos abrangeram desde estudos sobre a ligação entre mudanças ambientais e doenças emergentes até modelos de intervenção comunitária no Líbano e no Camarões.

“Esses projetos mostram que a pesquisa francesa em saúde global é inclusiva e transdisciplinar”, afirmou Virlon. “Trata-se de construir um conhecimento em diálogo com as comunidades e ligar o local ao global para que as soluções sejam reais e sustentáveis”. Ela encerrou convidando os centros francófonos e internacionais a integrarem a rede, que terá em breve seu site oficial e página no LinkedIn.

Convergência entre vigilância e cooperação

As duas apresentações reforçaram uma mesma mensagem: a resposta a futuras pandemias depende tanto de infraestruturas científicas quanto de alianças institucionais e humanas. Enquanto a P3i busca aprimorar a agilidade científica do Institut Pasteur, a FrOGH procura expandir as pontes entre pesquisa, formação e políticas públicas em escala global — duas frentes complementares de um mesmo esforço por um sistema de saúde mundial mais preparado e colaborativo.