Abertura do IPSP & IPMon – A Pasteurean Scientific Meeting destacou a construção de projetos conjuntos, a diplomacia científica e o fortalecimento da colaboração entre Brasil, Uruguai e França.
A aproximação científica entre o Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) e o Institut Pasteur de Montevideo (IPMon) marcou a abertura do IPSP & IPMon – A Pasteurean Scientific Meeting, que começou ontem (16/09), na Universidade de São Paulo. O encontro foi concebido para ampliar a cooperação entre os dois institutos, identificar competências complementares e estimular o desenvolvimento de projetos conjuntos.
Na abertura, a diretora executiva do IPSP, Paola Minoprio, recuperou a história que conecta as duas instituições. Ela participou, no início dos anos 2000, da criação do Institut Pasteur de Montevideo e lembrou que aquela experiência teve influência direta em sua trajetória posterior no Brasil, onde trabalhou para viabilizar a implantação do Institut Pasteur de São Paulo.
Segundo Minoprio, apesar da proximidade geográfica e dos interesses científicos comuns, os dois institutos ainda conheciam pouco o trabalho um do outro. O encontro foi concebido justamente para reduzir essa distância e criar oportunidades concretas de colaboração. Ela destacou também o apoio da FAPESP, que mantém um acordo de cooperação com o Institut Pasteur de Montevideo voltado, entre outros, à aproximação de pesquisadores e ao desenvolvimento de projetos conjuntos, mobilidade de estudantes, assim como o desenvolvimento de jovens cientistas.
A expectativa, afirmou, é que este seja o primeiro de uma série de encontros entre as instituições. Minoprio ressaltou ainda a decisão de envolver diretamente pesquisadores mais jovens na organização científica do evento, de forma que novas redes de colaboração possam se consolidar a partir dessa geração.
Na sequência, Yannick Samson, adido de Cooperação e de Ação Cultural do Consulado-Geral da França em São Paulo, situou o encontro no contexto da diplomacia científica. Para ele, a ciência tem um papel que vai além da produção de conhecimento: pode funcionar como instrumento de cooperação e de construção de pontes entre países e instituições.
Samson destacou valores associados à cooperação científica internacional, como liberdade acadêmica, integridade científica e reciprocidade, e relacionou o encontro à abordagem One Health, baseada na integração entre saúde humana, animal e ambiental. Também ressaltou o papel do Institut Pasteur de São Paulo na cooperação científica entre França e Brasil e afirmou que a aproximação com Montevidéu amplia essa articulação para uma dimensão regional, envolvendo França, Brasil e Uruguai.
A apresentação institucional do Institut Pasteur de Montevideo ficou a cargo do pesquisador Marcelo Comini, que reforçou que a delegação uruguaia não veio a São Paulo apenas para apresentar resultados científicos, mas principalmente para encontrar interesses comuns e possibilidades de desenvolvimento tecnológico complementar.
Comini apresentou um panorama da instituição, que reúne cerca de 400 pessoas, aproximadamente 16 laboratórios de pesquisa, mais de dez unidades tecnológicas e mais de dez iniciativas empresariais e startups. Ao longo de cerca de duas décadas, o instituto acumulou mais de 1.500 publicações, mais de 200 teses, cerca de 125 cursos internacionais e 22 patentes.
Segundo ele, a consolidação do IPMon foi resultado de diferentes estratégias de formação de pesquisadores, criação de programas institucionais, desenvolvimento de plataformas tecnológicas e estímulo à inovação. A proposta do encontro, portanto, é colocar essas capacidades em contato com as competências existentes em São Paulo e transformar a aproximação institucional em novas colaborações científicas.