Institut Pasteur de São Paulo

Estudantes internacionais contribuem para avanço na descoberta de novos compostos antimicrobianos no Institut Pasteur de São Paulo

Estudantes internacionais contribuem para avanço na descoberta de novos compostos antimicrobianos no Institut Pasteur de São Paulo


 

Durante o estágio no IPSP, estudantes da França e do Canadá ajudaram a implantar plataformas experimentais e a identificar compostos com potencial terapêutico para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.

Durante pouco mais de dois meses, duas estudantes internacionais participaram da implantação de plataformas experimentais que passarão a integrar as pesquisas do grupo Terapias para o Combate de Patógenos Multirresistentes, do Institut Pasteur de São Paulo (IPSP), coordenado pelo pesquisador Caio Haddad Franco. O trabalho envolveu a padronização de protocolos laboratoriais, o desenvolvimento de ferramentas para análise de dados e a avaliação de antibióticos e compostos naturais com potencial para combater infecções causadas por Staphylococcus aureus, um dos principais agentes infecciosos associados à resistência a antibióticos utilizados na clínica.

As atividades foram desenvolvidas por Manon Anglade, estudante do Institut Supérieur d’Ingénieurs de Franche-Comté, na França, e Lola Desert, estudante de Microbiologia e Imunologia da McGill University, no Canadá, durante um estágio de pesquisa no IPSP.

Segundo Caio Haddad Franco, o trabalho das estudantes foi fundamental para consolidar a infraestrutura experimental do novo grupo de pesquisa.

“Elas estabeleceram protocolos e bases experimentais que serão utilizados pelos próximos integrantes do projeto e ainda avançaram para a avaliação de compostos que já apresentaram resultados promissores no nosso sistema”, afirma o pesquisador. A experiência reforçou a importância da internacionalização e da colaboração científica no desenvolvimento de projetos de pesquisa.

Novas estratégias – As atividades das estudantes integram a linha de pesquisa coordenada por Caio Haddad Franco, que investiga novas abordagens para o combate às infecções causadas por Staphylococcus aureus, uma das bactérias de maior relevância clínica e fortemente associadas à resistência antimicrobiana.

O projeto combina diferentes estratégias, entre elas a avaliação de medicamentos já disponíveis e de compostos naturais, buscando identificar moléculas capazes de atuar contra cepas resistentes e gerar novos candidatos terapêuticos. A iniciativa integra o novo grupo de pesquisa implantado no IPSP com apoio da FAPESP e do Institut Pasteur de Paris.

Durante o estágio, Manon Anglade participou da implantação e validação dos protocolos utilizados para a triagem de fármacos contra cepas resistentes de S. aureus. Seu trabalho incluiu a padronização dos ensaios laboratoriais, a determinação dos parâmetros experimentais e o desenvolvimento de ferramentas que automatizam a análise dos grandes volumes de dados produzidos durante os experimentos.

A estagiária também participou da avaliação de antibióticos e compostos naturais, contribuindo para a seleção de compostos e combinações que apresentaram resultados iniciais relevantes e que serão investigados em estudos futuros.

Composto promissor – Já Lola Desert trabalhou na implementação de uma plataforma de high-content screening, baseada em microscopia automatizada e análise de imagens, destinada à identificação de compostos capazes de atuar contra bactérias que permanecem no interior das células — condição que reduz a eficácia de muitos antibióticos convencionais. Os ensaios de imagem foram conduzidos em parceria com o professor Lúcio Freitas, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), colaborador do projeto.

Entre os compostos avaliados, um deles apresentou comportamento distinto dos demais candidatos. Nas imagens obtidas pelos experimentos, as bactérias intracelulares apareceram dispersas e isoladas no citoplasma das células, sem apresentar agrupamentos normalmente associados à replicação intracelular, indicando um possível efeito sobre essa etapa crítica da colonização celular.

“Ainda será necessário repetir os experimentos e compreender melhor o mecanismo envolvido, mas esse composto claramente apresentou um comportamento diferente dos demais candidatos”, afirmou Lola Desert.

Experiência internacional – Além da contribuição científica, o estágio representou uma importante experiência de formação para as duas estudantes.

Para Lola Desert, foi o primeiro contato com um laboratório de pesquisa. “Aprendi praticamente tudo do zero, desde atividades básicas de laboratório até a construção dos experimentos. Participar da implantação dessa estrutura foi uma experiência que certamente levarei para toda a minha carreira.”

Manon Anglade destaca o aprendizado técnico e a oportunidade de trabalhar em um ambiente internacional. “Aprendi muitas técnicas novas, incluindo cultivo celular, que nunca havia realizado. Trabalhar em outro país e em uma instituição de pesquisa como o Institut Pasteur de São Paulo foi extremamente enriquecedor para minha formação.”

Os resultados obtidos durante o estágio foram apresentados em um seminário realizado em 3 de julho de 2026 no Institut Pasteur de São Paulo, reunindo pesquisadores da instituição para discutir os avanços alcançados no desenvolvimento das plataformas experimentais e das primeiras etapas do projeto de pesquisa sobre a descoberta de novos compostos antimicrobianos.