Institut Pasteur de São Paulo

Pesquisas do IPSP avançam na compreensão dos efeitos do vírus Zika e em novas ferramentas para monitorar infecções

Pesquisas do IPSP avançam na compreensão dos efeitos do vírus Zika e em novas ferramentas para monitorar infecções


 

Trabalhos apresentados por pesquisadores do Institut Pasteur de São Paulo em encontro científico internacional exploram desde os impactos prolongados do vírus no tecido cerebral até novas formas de acompanhar a infecção em tempo real.

Pesquisas desenvolvidas no Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) estão ampliando o conhecimento sobre o vírus Zika, tanto na compreensão dos danos que a infecção pode causar ao sistema nervoso quanto no desenvolvimento de ferramentas que permitem acompanhar o comportamento do vírus em tempo real.

Os resultados foram apresentados recentemente por pesquisadores do grupo Processos Infecciosos de Tripanossomatídeos, coordenado por Paola Minoprio, durante o Departmental Days 2026, encontro científico do Departamento de Global Health do Institut Pasteur de Paris, realizado na França, entre 3 e 5 de junho. Na ocasião, a pesquisadora Vanessa Barbosa Malaquias apresentou uma sessão oral, enquanto Sávio Zanon apresentou um pôster científico.

O trabalho apresentado por Malaquias investiga um tema que vem ganhando atenção da comunidade científica: os possíveis efeitos de longo prazo da infecção pelo vírus Zika em tecidos neurais maduros. Embora o vírus tenha se tornado conhecido mundialmente pela associação com casos de microcefalia durante a epidemia de 2015, evidências recentes indicam que ele também pode provocar alterações persistentes em tecidos cerebrais adultos.

Para estudar esse fenômeno, a pesquisadora utilizou organoides cerebrais humanos — estruturas tridimensionais produzidas em laboratório a partir de células-tronco e que reproduzem características do cérebro humano. Os experimentos mostraram que, após uma fase inicial de intensa replicação viral, os organoides continuaram apresentando deterioração estrutural mesmo quando a quantidade detectável de vírus diminuía significativamente.

Segundo os resultados, os organoides infectados perderam quase metade de sua área inicial ao longo do acompanhamento experimental. A observação sugere que uma infecção transitória pode desencadear processos de dano persistente no tecido nervoso, fornecendo um modelo relevante para investigar mecanismos associados à neurodegeneração induzida pelo vírus.

Já o trabalho apresentado por Zanon teve como foco a validação de versões modificadas do vírus Zika capazes de emitir sinais luminosos. Uma das linhagens produz bioluminescência e outra fluorescência, permitindo que os pesquisadores acompanhem a infecção em células humanas em tempo real.

O desafio era demonstrar que essas versões modificadas mantinham comportamento semelhante ao vírus original. Os experimentos mostraram que os vírus continuaram capazes de infectar e se replicar em células neurais humanas, além de produzirem sinais luminosos compatíveis com a dinâmica da infecção. Isso abre caminho para estudos mais rápidos sobre os mecanismos da doença e para a avaliação de potenciais estratégias antivirais.

Além das apresentações científicas, a diretora-executiva do IPSP, Paola Minoprio, participou do painel “Reflecting on the Future of One Health”, dedicado a discutir perspectivas internacionais, interdisciplinares e intergeracionais para a abordagem de desafios globais em saúde.

A presença dos pesquisadores no encontro reforça a integração do IPSP com a rede internacional do Institut Pasteur e contribui para ampliar a visibilidade de pesquisas desenvolvidas no Brasil em áreas estratégicas para a saúde global, especialmente no enfrentamento de doenças infecciosas emergentes e reemergentes.